“Narrativas brasileiras para não esquecer” é um trabalho de memória dedicado a resgatar, garimpar e pesquisar as vivências e ensinamentos da segunda metade do século XX. Partindo do princípio defendido por Martinho da Vila de que todos deveriam registrar seus pensamentos, o autor se propôs a rememorar e narrar acontecimentos, não com a pretensão de criar uma história definitiva e única.
A abordagem adotada destaca a importância de cultivar a memória para compreender o presente e projetar. Ao longo das narrativas, a autora busca não apenas listar dados e acontecimentos, mas sim destacar as emoções conflitantes, conflitos e avessos dos episódios, promovendo uma visão mais humanizada e próxima da vida cotidiana. Ela se propõe a escrever como quem conversa, narrando o que a impressionou. Além disso, um autor acompanha a evolução de suas próprias opiniões ao longo da vida, deixando para trás visões anteriores e abraçando uma compreensão mais ampla e complexa dos eventos. Ela destaca a dinâmica entre acontecimentos locais e globais, bem como a influência do poder nas relações humanas. A narradora também reflete sobre os riscos e as críticas que podem surgir ao escrever sobre vivências, mas ressalta a importância de provocar reflexões sobre os humores e dores presentes nessas narrativas. A obra propõe um convite para compensar e registrar o que não se pode esquecer, revisitando aspectos marcantes da história e da memória coletiva.